Falta de sono pode provocar perda de neurônios

Falta de sono pode provocar perda de neurônios

Neurologia
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Segundo pesquisa, a falta de sono pode causar danos mais sérios do que se imaginava, como a perda permanente de neurônios

 

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade da Escola de Medicina da Pensilvânia diz que a falta de sono pode provocar a perda permanente de neurônios. Em camundongos, a privação prolongada de sono levou à morte de 25% de células do cérebro e, de acordo com os estudiosos, se o resultado for semelhante em humanos seria inútil compensar as horas de sono perdidas.

O neurologista do Einstein Leonardo Ierardi Goulart revela que dormir um período de sono menor do que o organismo necessita para manter o equilíbrio de seus sistemas pode causar danos importantes - agindo no nível celular. “A privação aguda ou crônica de sono aumenta a atividade inflamatória em todas as células do corpo e o acúmulo de radicais livres. Isso não é diferente com as células do sistema nervoso, os neurônios, que também sofrem sérios danos. No entanto, é difícil dizer a partir de qual nível de privação de sono esses danos são irreparáveis”, afirma.

Para conduzir o estudo, os pesquisadores analisaram certas células do cérebro que o mantém alerta e também seguiram um padrão de sono semelhante àquele dos que trabalham em turnos noturnos e com apenas quatro a cinco horas de sono durante o dia. Para eles há evidências de que a falta de sono pode levar a danos irreversíveis, porém outras pesquisas serão necessárias para confirmar o fato. “Ainda não sabemos se os neurônios perdidos podem ou não ser repostos em longo prazo, por isso não podemos afirmar que o dano neuronal é irremediável”, explica o dr. Goulart.

Os cientistas acreditam que no futuro pode ser possível desenvolver um medicamento para proteger os neurônios, ao estimular a química natural envolvida na recuperação do sono. Para o neurologista do Einstein, não é possível compensar as horas de sono perdidas, em curto prazo. “O motivo disso é que o dano da privação do sono ocorre instantaneamente durante o período em que se deveria estar dormindo. O que pode ocorrer é que, dependendo da gravidade da carência de sono, uma melhora na qualidade e quantidade de sono de forma constante e regular pode minimizar os danos celulares ou restituir algumas funções que foram prejudicadas”, ressalta o especialista.

Ainda de acordo com o dr. Goulart, vale lembrar que a privação de sono pode agravar ou desencadear doenças mentais (déficit de atenção, memória, alterações cognitivas, depressão, ansiedade, agressividade, surtos de mania e quadros psicóticos) e sistêmicas (alterações do metabolismo, obesidade, arritmias, dores, crises convulsivas, tonturas, hipertensão arterial e outras doenças vasculares). Em contrapartida, pessoas que têm um padrão sono adequado e regular possuem menor risco de desenvolver doenças em geral, além de um melhor equilíbrio físico e mental que repercutem na sua qualidade de vida.

Fonte:Leonardo Ierardi Goulart, neurologista CRM:97561??